“Música eletrônica é política”: por que essa frase é uma meia verdade
A pista nasceu para acolher quem não tinha lugar em nenhum outro. Política social, sim. Partidária, nunca.
· MyDeepHouse
“Música eletrônica é política.” Você deve ter visto essa frase circulando nos últimos dias. E ela é uma meia verdade.
É verdade porque a pista nasceu de gente que não tinha onde estar. Em Chicago, foram jovens negros, latinos e gays barrados em outros clubes. Em Detroit, jovens negros sonhando com outro futuro em uma cidade em crise. Em Berlim, uma festa registrada como manifestação. No Reino Unido, uma lei usada para reprimir as raves. Reunir pessoas que o mundo deixava de fora sempre foi um ato político, no sentido social da palavra.
Mas é meia verdade porque político não é sinônimo de partidário. Ninguém criou o house ou o techno para eleger alguém. A luta da pista nunca foi por um lado, foi pelo direito de qualquer pessoa entrar, dançar e ser quem é.
E é por isso que a pista não tem dono. Nela você divide o momento com gente que mal conhece, de outro país, de outra fé, que talvez vote diferente de você. E mesmo assim, por algumas horas, todo mundo está no mesmo ritmo. Transformar isso em disputa de partido é esquecer de onde a música eletrônica veio.
Então, da próxima vez que alguém disser que para estar na cena eletrônica você precisa estar de algum lado, lembre-se: a cena eletrônica tem um único princípio, respeito a quem está do seu lado na pista.
Faz parte da MyDeep se posicionar também, principalmente quando vê tantos artistas e pessoas misturando política partidária com música eletrônica.
Política social, sim. Política partidária? Nunca.